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Internet ‘aprende’ e chega à fase 2.5

Novos navegadores não exploram a rede como um monte de páginas soltas e apontam para um futuro mais prático e flexível

Na segunda-feira passada, uma história em quadrinhos diferente surgiu na internet. Escrita e desenhada pelo teórico Scott McCloud, mostrava o funcionamento de mais uma novidade apresentada pelo Google – um programa de navegação na rede. Horas depois a empresa lançou um browser com a sua grife, o Google Chrome, disponível para download desde terça (e milhões no mundo todo já fizeram isso).

Sem aviso, sem rumores - o anúncio foi dado de surpresa. E, no mês em que completa dez anos, o Google talvez tenha dado um passo importante para redefinir o futuro da internet.

Ao mesmo tempo, seus principais concorrentes, o Firefox e o Internet Explorer, se mexem. A Microsoft acaba de revelar a oitava versão de seu Explorer, e o Firefox continua recebendo “plugins” (extensões) que turbinam a navegação - sem contar a série de conceitos de browsers em discussão na Fundação Mozilla, criadora do software. O primeiro foi apelidado de Aurora.

Juntos, os três navegadores têm como desafio ampliar o que conhecemos hoje por internet e, aos poucos, livrá-la do próprio browser. Contraditório? Num futuro não muito distante, nós nos conectaremos à rede por meio de uma gama de aplicativos - e muitos dos aparelhos que nos cercam (além de computadores e celulares) estarão online. Com a onipresença da rede, essas conexões não terão fios e estarão não mais só a um clique de distância. Abrir a porta da geladeira, dirigir um carro ou mudar de canal na TV serão ações que nos ligarão à internet.

Mas, entre o hoje e esse futuro próximo, precisamos passar por algumas etapas. A principal delas diz respeito a evoluir da web 2.0, que experimentamos hoje, para o próximo passo, já batizado de web 3.0. Significa chegarmos a uma rede que, em vez de ser informada por nós sobre o que queremos quando estamos online, terá inteligência para se apresentar a nós do jeito que a desejarmos.

É aí que entra essa nova era detonada na semana passada. Os novos navegadores já começam a entender a rede não como uma série de páginas, mas como um meio formado por diversos softwares que geram conteúdo, sejam games, tocadores de mídia, mapas online ou programas de correio eletrônico.

A lógica por trás do funcionamento do Chrome (que, segundo a Microsoft, também está presente no novo Internet Explorer) faz com que o programa navegue pela rede em processos paralelos – e não da forma linear como ocorria antes. Se antes esses programinhas eram aplicativos presentes em páginas da internet, aos poucos poderão ser acessados sem que seja preciso acessar o site em que eles estão. Mas isso é uma questão de reeducação de hábitos online.

Sem que as pessoas percebam, essa nova realidade está se aproximando. Seja na lenta morte do desktop, pouco a pouco substituído por dispositivos móveis de acesso à rede, ou em aparelhos capazes de realizar cada vez mais tarefas online. Um jogo como Spore (veja nas páginas L2 e L3), lançado na semana passada, é um bom termômetro disso – ele roda em consoles, computadores, celulares e até redes sociais.

Assim chegaremos ao estágio em que abrir o computador já nos levará aos sites que acessamos com mais freqüência. O processo de entrar num site, digitar login e senha, esperá-lo carregar para, aí sim, começarmos a fazer o que queríamos está em vias de extinção. A experiência online tende a ser simplificada não apenas no número de etapas, como também na busca por assuntos ou serviços que possam interessar ao usuário.

A própria tela de abertura do Chrome, que exibe ao mesmo tempo os nove sites mais freqüentados pelo usuário e os principais mecanismos de busca que ele usa, já é um indício disso.

O Google mudou os hábitos de navegação quando surgiu pela primeira vez há dez anos com um inovador programa de busca. O design minimalista de sua homepage nos perguntava, como uma tela em branco, o que queremos da rede. Agora estamos superando esse estágio para chegarmos a uma situação em que não diremos à rede o que queremos fazer - é ela que nos trará as novidades que possam, ou não, nos interessar.

É a navegação de cada um de nós – reflexo consciente ou inconsciente de nosso gosto pessoal – que determinará como a internet se apresentará a nós. E, quanto mais navegarmos e interagirmos com ela, mais inteligente ela ficará – isso é web 3.0.

Ainda não chegamos a esse ideal. Mas agora é a hora de nos acostumarmos com um meio-termo entre o presente e o futuro. Chamemos esta era que se iniciou na semana passada de “web 2.5”.
 
Fonte: Link  
 

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